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Prazer, somos a Ecotuba!

Era uma vez em uma ilha…

Era o ano de 1999, inicio do último mês do ano, lá estava eu sentado em um bote inflável vermelho navegando em direção ao Parque Estadual da Ilha Anchieta para iniciar um estágio pelo período de um ano, aluno de um curso de administração de empresas eu não imaginava o que me esperava ao colocar os pés na ilha, só queria aprender coisas novas e trabalhar (ainda não havia a celebre frase “Money Que é good nós num have”, mas era por ai a coisa), menos ideia ainda eu tinha de como aquela travessia iria mudar a minha vida nos anos que viriam.

Alguns dias na ilha já me sentia adaptado a rotina do trabalho que incluía além de processos administrativos, fazer o atendimento ao público que visitava o parque em busca de diversão conhecendo as praias e história do lugar.

Parque Estadual da Ilha Anchieta

E era ai que a coisa pegava, eu tremia ao pensar que teria que falar para um multidão de pessoas (mais que duas pessoas eu já enxergava uma centena na minha frente), minha função era apresentar as normas da unidade de conservação e orientar para que aproveitassem da melhor forma a visita, com segurança e respeito a natureza da ilha.

Foi quando para o meu alivio (ou sobrevivência) a gestora responsável pelo uso público do parque resolveu fazer um curso de capacitação de monitores, onde seria ensinado como lidar com o público e compartilhado conhecimento sobre aspectos históricos, geográficos e culturais da ilha, para que mais tarde fossem utilizados nas apresentações feitas pelos monitores do parque aos visitantes que chegavam diariamente.

O curso contou com uma turma de quase 40 alunos, quase todos vindos dos cursos da Unitau (Universidade de Taubaté) do campus de Ubatuba e por alguns dias tivemos aulas com profissionais experientes de diversas áreas.

Tudo era novo, mas ao mesmo tempo era fascinante a ideia de que por meio do trabalho de monitor ambiental seria possível compartilhar com as mais diferentes pessoas coisas do lugar que você vive e ainda fazer disso uma profissão, era algo como “trabalhar se divertindo e ainda te pagarem por isso”.

Vida após um curso de monitores

Do curso nasceu um desejo de levar adiante essa ideia e o que era melhor, eu não era o único com essa vontade de aprimorar na nova profissão, fiz amizades incríveis que contribuíram muito para a minha formação como pessoa e profissional.

Formamos um time de monitores, era o primeiro do parque na década de 2000 e fomos para o jogo, a escalação tinha além de mim, Rege Galvão, Bira, Elias, Juninho “juruti”, Gabriel “Speto” e no comando, a bióloga Drª Maria de Jesus Robim, coordenadora de Uso Público do parque e mentora, professora e por vezes mãe da nossa equipe.

Blog Vida de Guia
Apresentando o Parque para visitantes, do outro lado o colega monitor Maycon.

Dai para a frente inúmeras foram as horas de estágio em trilhas conduzindo grupos de pessoas de todos os perfis, ações voluntarias e cursos de capacitação, muita ralação e pouca grana, mas seguíamos fortes na missão, queríamos viver o sonho de trabalhar com turismo e não foram poucas as vezes em que como bambu verde, envergamos e muito, mas não quebramos, sempre tínhamos um ao outro e isso fez a diferença.

E os anos se passaram

17 anos depois algumas coisas mudaram, Gabriel hoje vive na Austrália, Juninho é um ativo representante da comunidade caiçara onde mora no sertão do Ubatumirim, Elias se tornou professor e nas horas vagas segue guiando turistas, Rege, Bira e eu seguimos vivendo do trabalho de guia por todo esse tempo.

Rege se especializou em idiomas, é fluente em inglês, espanhol e francês e possui uma experiência fora dos padrões de guia, Bira montou uma pousada e esta sempre em busca de aplicar conceitos de sustentabilidade no dia a dia do estabelecimento.

Você deve estar se perguntando, “mas e você Nei?”, bem eu estou aqui escrevendo para contar que depois de ter vivido muita coisa legal nesses anos ao lado dessa turma, resolvi me jogar e virar “empresário” e fundar a Ecotuba, uma operadora de turismo decidida a compartilhar o que há de melhor em nossa região e como todo bom time, reforços são necessários e eu como não sou bobo nem nada, trouxe para dentro pessoas do bem para somar nessa missão de fazer turismo de forma comprometida com os clientes (que sejam muitos) e com o planeta que nos acolhe.

A Ecotuba nasce forte, com a mesma gana do inicio de nossas carreiras e com o sangue novo, tão essencial e competente quanto, do Marcelo e Fábio, guias caiçaras da praia Grande do Bonete e da ala feminina formada pela Fernanda (geografa), Carolina Kazumi (ninja e advogada) e pela Paty (administradora de empresas) que desde que casamos há um ano me aguenta falar de Ecotuba 24 horas por dia.

Agora que já nos conheceu, venha com nós trilhar novos caminhos, prometo que você vai estar bem acompanhado e que não irá faltar dedicação e diversão ao longo do caminho, afinal foi assim no inicio e será assim sempre.

Vida longa a Ecotuba!

Nei de Ubatuba
Sobre o autor

Diretor fundador da Ecotuba, é Guia de Turismo & Monitor Ambiental.

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